Bom dia. Já são 6:45h aqui na Polônia e já é dia claro. A maioria de vocês no Brasil já deve ter se recolhido, pois já são quase 2h da manhã.
Nos despertamos para o dia mais importante dessa semana: hoje pisaremos em Auschwitz, esse terrível campo de morte. Lá estaremos, de cabeça erguida, marchando pela memória dos que se foram e refletindo sobre os limites do que o ser humano é capaz de fazer - para o bem e para o mal.
Aqui nos deparamos com histórias de vítimas que, privadas de tudo, mantiveram sua dignidade, lutaram, arriscaram suas vidas somente para salvar uma fotografia, para dar mais um abraço em seus filhos, para contrabandear um sidur (livro de rezas), para dar de comer a uma criança, para manter a esperança na humanidade - enquanto o cruel opressor lutava em vão para desumanizá-las.
Aqui também, perplexos, nos deparamos com algo que, ainda que esteja diante de nossos olhos, temos dificuldade de aceitar: o ser humano foi capaz de fazer isso contra o ser humano. De construir uma máquina de destruição eficiente e implacável que não enxerga o rosto da criança e não se perturba diante da face de um idoso. O ser humano foi capaz de fazer isto. O ser humano é capaz de fazer isto.
Para onde queremos ir? Para onde vamos marchar? Que mundo queremos no futuro? Lembrar de nosso passado, manter viva a memória do que aconteceu aqui é imperativo para nos ajudar. Se os poloneses e o mundo se calaram diante do que acontecia aqui, bem debaixo de seus olhos, enquanto os nazistas perpetravam suas atrocidades, como nos comportamos hoje diante de massacres, genocídios e guerras que ainda assolam o mundo. Que mundo queremos deixar para nossos filhos? Pisar em Auschwitz só deve nos ajudar a decidir.
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