Também permitia que judeus que não estavam na yeshivá traçassem para si um plano de estudos considerado mais leve e factível: uma página por dia. Assim, médicos, advogados, engenheiros ou operários teriam uma orientação que os conduziria a um estudo planejado.
O rabino Meir Shapira insistia que sua yeshivá fosse construída justamente em Lublin. Seu objetivo era trazer de volta o esplendor do estudo que essa cidade outrora possuía. Aqui, em Lublin, no século 16 desenvolveu-se o sistema de estudo apelidado de pilpul, que consiste em fazer analises profundas e explorar todas as possibilidades, afiando os conceitos para ter precisas conclusões. Aqui viveu, naquela época, o Maharshá e outros grandes comentaristas. Lublin também foi o lar de grandes mestres da Chassidut, como o famoso Chozê de Lublin.
Por tudo isso, o rabino Shapira, nos anos 1930 resolveu que aqui deveria ser o berço da nova liderança espiritual judaica européia. Buscou recursos em vários países e nomeou a yeshiva em homenagem aos mestres do passado (literalmente: Yeshivá dos Sábios de Lublin). Aplicou regras estritas de admissão - somente entravam para estudar aqui aqueles que já sabiam de memória centenas de páginas do Talmud e podiam recitá-las sem vacilar. Seu objetivo era qualificar ao máximo a liderança judaica com uma yeshiva de excelência.
Infelizmente, com o início da guerra, os livros da yeshivá foram queimados pelos nazistas e quase todos os judeus de Lublin foram conduzidos ao extermínio no campo de Belzec. No pós-guerra, o prédio da yeshivá funcionou como um departamento da Universidade de Lublin, servindo à faculdade de Farmácia. Há alguns anos, o prédio foi devolvido à comunidade judaica e totalmente reformado.
Entramos na yeshivá, conhecemos o museu que conta sua história e experimentamos alguns minutos de estudo num beit midrash (casa de estudos) por onde passaram grandes sábios.
Abaixo um clip de um minuto com fotos de nossa visita à yeshivá. Daqui a pouco volto para contar sobre Majdanek.
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