domingo, 19 de abril de 2015

Chachmei Lublin

Nossa primeira parada hoje em Lublin foi a famosa Yeshiva de Chachmei Lublin. Foi fundada nos anos 30 do século 20 pelo rabino Meir Shapira, que marcou para sempre o judaísmo contemporâneo com a invenção do sistema de estudos do daf yomi (a página diária) que consiste em estudar uma página por dia do Talmud para, em 7 anos, terminar todos os tratados da obra. Esse sistema permitia que judeus do mundo inteiro, mesmo antes da invenção da internet, estivessem sempre "na mesma página", sempre conectados. Um judeu da Polônia podia encontrar-se no trem com um patrício lituano e teriam sempre sobre o que conversar e estudar juntos.

Também permitia que judeus que não estavam na yeshivá traçassem para si um plano de estudos considerado mais leve e factível: uma página por dia. Assim, médicos, advogados, engenheiros ou operários teriam uma orientação que os conduziria a um estudo planejado.

O rabino Meir Shapira insistia que sua yeshivá fosse construída justamente em Lublin. Seu objetivo era trazer de volta o esplendor do estudo que essa cidade outrora possuía. Aqui, em Lublin, no século 16 desenvolveu-se o sistema de estudo apelidado de pilpul, que consiste em fazer analises profundas e explorar todas as possibilidades, afiando os conceitos para ter precisas conclusões. Aqui viveu, naquela época, o Maharshá e outros grandes comentaristas. Lublin também foi o lar de grandes mestres da Chassidut, como o famoso Chozê de Lublin.

Por tudo isso, o rabino Shapira, nos anos 1930 resolveu que aqui deveria ser o berço da nova liderança espiritual judaica européia. Buscou recursos em vários países e nomeou a yeshiva em homenagem aos mestres do passado (literalmente: Yeshivá dos Sábios de Lublin). Aplicou regras estritas de admissão - somente entravam para estudar aqui aqueles que já sabiam de memória centenas de páginas do Talmud e podiam recitá-las sem vacilar. Seu objetivo era qualificar ao máximo a liderança judaica com uma yeshiva de excelência.

Infelizmente, com o início da guerra, os livros da yeshivá foram queimados pelos nazistas e quase todos os judeus de Lublin foram conduzidos ao extermínio no campo de Belzec. No pós-guerra, o prédio da yeshivá funcionou como um departamento da Universidade de Lublin, servindo à faculdade de Farmácia. Há alguns anos, o prédio foi devolvido à comunidade judaica e totalmente reformado.

Entramos na yeshivá, conhecemos o museu que conta sua história e experimentamos alguns minutos de estudo num beit midrash (casa de estudos) por onde passaram grandes sábios.

Abaixo um clip de um minuto com fotos de nossa visita à yeshivá. Daqui a pouco volto para contar sobre Majdanek.


Nenhum comentário:

Postar um comentário