domingo, 26 de abril de 2015

Cesarea Maritima

Nossa primeira parada hoje foi Cesareia. Um lugar impressionante por sua beleza e por sua riqueza. Ir a Cesareia é cercar-se de azul por todos os lados e em tantos diferentes tons que, irresistivelmente, porém em vão, os olhos, quase hipnotizados, movem-se constantemente na tentativa de alcançar compreender. O encontro entre o mar e o céu, entre o azul e o azul semeia em quem vem a Cesareia a vontade de permanecer, de contemplar ou de arrancar um pedaço da paisagem mar para levar consigo para sempre.

Além disso, ir a Cesareia é fazer um mergulho na história, é viajar pelo tempo. Aqui, há dois mil anos, Herodes ergueu uma cidade em homenagem ao Cesar romano. Com uma avançada tecnologia de construção civil e, claro, o trabalho forçado de milhares de escravos, Herodes ergueu uma imponente cidade em poucos anos. O porto da cidade, uma baía artificial, foi construído com um método revolucionário de concretagem submarina. Este porto foi a chave para a prosperidade da cidade após sua construção, inserindo-a na rota do comércio no mundo antigo.

Aqui viveram cristãos, romanos e judeus. O famoso Rabi Akiva chegou a habitar na cidade. O Talmud, porém, afirma (Meguilá 6a - em tradução livre): "se te disserem que Jerusalém está construída e Cesareia está destruída acredite. Se te disserem que Jerusalém está destruída e Cesareia construída acredite. Se te disserem que ambas estão destruídas ou ambas estão construídas não acredite, pois quando uma está no auge a outra está destruída". Há muitos diferentes comentários sobre esse trecho, mas, aparentemente, o Talmud enxerga Cesareia como o símbolo do domínio romano subjugando Israel e Jerusalém como o símbolo da independência e da liberdade. Não podem ambas as situações conviver - não pode haver independência quando subjugados e não há domínio ou ditadura quando há liberdade. Cesareia foi o retrato do domínio romano sobre Israel.

Através dos anos, a cidade foi dominada por Bizantinos, árabes e cristãos. Foi remodelada, reinventada. Na era moderna, as terras da cidade foram compradas pelo Barão de Rotschild e uma nova Cesareia começou a imergir. Ao lado da cidade antiga surgiu também o Kibutz Sdot Yam, onde vivia Hanna Szenes, judia húngara que voluntariou-se para combater os nazistas na Europa durante a segunda guerra. Ela saltou de para-quedas atrás das linhas inimigas, foi capturada, torturada e assassinada.

Caminhando pela praia de Cesareia fica fácil entender a inspiração de Hanna Szenes, que, vivendo aqui, compôs um famoso poema que se tornou também uma canção muito popular em Israel. No poema, além do profundo significado da palavras, as aliterações do Shin e do Resh transmitem a idéia do som das ondas e do vento no mar. Para aqueles que apreciam, Cecília Meireles utiliza recursos parecidos para obter o mesmo resultado, mas Hanna Szenes o faz de forma muito mais concisa e condensada. Abaixo transcrevo seu poema com tradução livre (deste que vos escreve) como também um link para a canção.


ELI ELI 
HALICHAH LEKESARIYAH             
Eli, Eli

Shelo yigamer le'olam:
Hachol vehayam

Rishrush shel hamayim
Berak hashamayim

Tefilat ha'adam.
Meu D-s, meu D-s 
CAMINHADA EM CESAREIA 
Meu D-s, Meu D-s

Que essas coisas jamais acabem:
A areia e o mar

O sussurro da água
O relâmpago do céu

A oração do homem.
 

link para ouvir a canção: https://www.youtube.com/watch?v=fc0jM8iOzjA

 

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