segunda-feira, 20 de abril de 2015

Daroma

Já tomamos café da manhã (com direito a panqueca) e estamos subindo no ônibus para viajar para o sul (Daroma). Aqui são 8:35h e, no Brasil, os notívagos ainda estarão despertos. Nosso roteiro hoje é descer até Ein Bokek, o maior centro turístico do Mar Morto, onde experimentaremos a sensação de entrar nas águas "mais salgadas" do mundo.

Localizado no lugar mais baixo do planeta, a mais de 400m abaixo do nível do mar, o Mar Morto acumula em suas águas uma quantidades de sais dez vezes superior a dos mares em geral. A composição química das águas e suas diferentes aplicações em terapias e na indústria de cosméticos alçou o Mar Morto à fama mundial no mercado da beleza e da saúde. Nesse mar, não se deve mergulhar, já que a quantidade de sais pode ferir os olhos e outras mucosas. Por outro lado, as densas águas, enquanto fazem arder as feridas fazem também flutuar os corpos de quem entra no mar. No Mar Morto todos flutuam.

Infelizmente, nos últimos anos, o nível das águas do mar recua insistentemente e com constância, o que preocupa a sociedade e ambientalistas. Este recuo é resultado da exploração dos minerais pela indústria cosmética e da retirada de água do Mar da Galileia para consumo mas também de mudanças climáticas ocorridas nos últimos anos. O nível do mar, a cada ano, se afasta lentamente da praia. Há muitos projetos sendo estudados, inclusive uma ideia bilionária de construir um aqueduto que traria água do Mar Vermelho para revitalizar o Mar Morto, aproveitando a geografia e a localização tão baixa desse mar no coração do deserto. Há, no entanto, muita discussão em torno de projetos desse tipo, de um lado porque não se tem ainda um estudo completo do impacto que tais mudanças acarretariam para o ecossistema da região e de outro lado porque o Mar Morto, localizado sobre a falha geológica sírio africa, que separa as placas tectônicas sobre as quais estão, respectivamente, os continentes asiático e africano, é compartilhado por Israel e Jordânia, de modo que qualquer projeto precisa agradar ambos os países, que ainda não chegaram a um acordo sobre o assunto.

Depois de aproveitar o Mar Morto, subiremos Massada, uma fortaleza construída por Herodes e que foi palco de uma história trágica e heroica (mais tarde contarei mais sobre isso). De lá seguimos para Kfar Hanokdim, onde faremos um passeio de camelo pelo deserto e seremos recebidos por beduínos para um café na tenda.

À noite, viajamos para a cidade de Arad, para uma cerimônia de Yom Hazikaron. Hoje à noite começa um dia solene, muito importante para a sociedade israelense: o dia em que são recordados todos aqueles que caíram na defesa de Israel, combatendo no exército ou vítimas de atentados. Aqui, não há uma família que não conheça de perto, infelizmente, a dor de perder alguém nos duros conflitos pelo qual passou e passa Israel. Por isso, esse dia mobiliza todo o país: tanto na noite de hoje como amanhã (durante o dia) sirenes soaram e o país irá parar por minuto (mais tarde também falarei mais sobre isso).

Voltaremos então ao nosso acampamento para uma fogueira e uma noite especial no deserto. Fique ligado, que o dia está só começando.

Café da Manhã

Café da Manhã

Café da Manhã

PS - A disponibilidade de conexão com a internet no deserto ainda é consideravelmente menor que nas grandes cidades. É possível que até amanhã não seja possível postar vídeos e nem mesmo uma grande quantidade de fotos neste blog. Não se desespere nem arranque os cabelos, assim que a conexão permitir, ainda que com atraso, postarei mais imagens. Dentro do possível, tentarei manter esse blog atualizado, mesmo no coração do Neguev.

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