terça-feira, 14 de abril de 2015

Treblinka

Hoje também estivemos em Treblinka, um campo de extermínio projetado para assassinar com eficiência e exterminar rapidamente os judeus da Europa, principalmente a comunidade de Varsóvia e redondezas. Lá pereceram cerca de 912.000 judeus - 300 mil deles vieram de Varsóvia.

Ao contrário de Auschwitz e de outros campos de trabalho, Treblinka fora desenhado somente para assassinar. Aqui não haviam trabalhos forçados, salvo para aqueles que eram obrigados a desempenhar as tarefas necessárias para o extermínio de seus irmãos. Barbeiros - que cortavam os cabelos das mulheres antes que seguissem para as terríveis câmaras de gás - e dentistas, que arrancavam dentes de ouro e obturações metálicas daqueles que saíam das mesmas, além, claro, dos responsáveis por carregar os corpos e buscar valores nas roupas dos prisioneiros que chegavam e, invariavelmente, traziam escondidos em suas vestes tudo o que podiam ter de valor.

Aqui desembarcavam inocentes vítimas que, agarrando-se a suas esperanças e fé, acreditavam que encontrariam alguma chance para trabalhar e salvar-se durante a guerra. Mal sabiam que seus algozes, com premeditada crueldade, haviam dissimulado com perfeição uma estação de trem, uma plataforma de desembarque e um caminho que indicava um corredor que, na verdade, os levaria para o corredor dos céus - o Himmelstrasse - que os conduziria para a morte. Homens, mulheres e crianças, iludidos, preocupados em salvar os seus, foram levados com maldade e empurrados com desprezo para, despidos de tudo, marchar para morte.

Aqui, em Treblinka, os que desembarcavam tinha um destino certo - a morte nas câmaras de gás. Mais tarde voltarei a este tema e postarei alguns dos relatos dos pouquíssimos que sobreviveram Treblinka, após um levante contra o inimigo assassino. 

Os próprios nazistas, ainda durante a guerra, desmontaram o campo e tentaram destruir todas as evidências da terrível indústria de morte que ali havia sido instalada. Por isso, não é possível hoje ver nada do que fazia parte do campo. No lugar onde havia o campo de extermínio, hoje existe um museu e monumentos de pedra, com mais de 17 mil monolitos, espalhados por todos os cantos, com os nomes das comunidades das quais foram deportados judeus para morrer em Treblinka. Cada pedra representa um lugarejo, uma cidade, uma aldeia de onde centenas, milhares ou miríades de judeus foram arrancados de seus lares e de seus amores para uma morte prematura, cruel e impiedosa.

Deixo vocês aqui com algumas imagens de Treblinka. Daqui a pouco compartilho um vídeo sobre nossa visita a este local. Mais tarde, se o tempo permitir, compartilharei com vocês as palavras de alguns dos sobreviventes deste terrível lugar.

Monumento em Forma de Trilhos de Trem na Entrada de Treblinka

Treblinka

Treblinka

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Treblinka

Um comentário:

  1. É muito revoltante, ainda mais quando identificamos alguém "próximo". Descobri há algumas semanas que Chaia Nejman Szulcz, a irmã de meu bisavô (tataravô do Dé) foi assassinada aí, em Treblinka. Vivenciar essa paisagem terrível é, ao mesmo tempo terrível e muito importante para entendermos os horrores do ser humano e lutar sempre contra isso. Estou acompanhando o blog diariamente. Abraços

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