Estamos na Polônia há apenas um dia. E já deu pra perceber algumas coisas. Em uma semana, creio, vamos entender como pensam. Quem sabe, a partir daí, podemos começar a entender como nós mesmos pensamos...
Realmente há muita coisa inusitada na Polônia. Coisas sobre as quais nunca paramos muito para pensar. Hoje paramos num posto de gasolina e, diante do que parecia uma imperdível promoção, fui me informar do que se tratava. Veja só:
São garrafas de cinco litro de um líquido que parece água. Para que servem? Ora, está escrito na placa: são garrafas de zimowy spryskiwaczy, ou seja, líquido para limpador de para-brisa. Aqui na Polônia, veja só, não se pode usar água no limpador de para-brisa, pois é muito perigoso que ela congele - o que pode causar um grave acidente. Essa marca, em particular, promete não congelar em temperaturas até -22 graus, conforme indicado na placa e no rótulo do produto.
É tanta coisa na qual a gente nunca pensa... Pequenos detalhes. Cada lugar tem suas particularidades. Morar na Polônia significa abrir mão da liberdade de usar a boa e velha água com sabão para esguichar no para-brisa. A água pode congelar e, numa tempestade, travar o limpador e comprometer a visibilidade. Bom, a solução tá aí - e custa só 19,50 zlotys!
Mas a gente vai se acostumando. Enigmático mesmo é o idioma. Ou melhor, a escrita. Esta é traiçoeira - dissimula usar um alfabeto igual ao nosso, mas são somente aparências. Melhor seria se assumissem outra forma, outros caracteres - como o hebraico, que não tem vergonha de dizer a que veio. Mas o polonês se esconde em letras que parecem latinas, mas estão invariavelmente em combinações impensáveis, representando o contrário do que deveriam sinalizar.
De qualquer forma, a gente tenta. Mas é difícil. E não é porque não nos esforçamos. No ônibus e nas paradas, tentamos aprender mais sobre a Polônia, o mapa, as pessoas, o idioma. Mas é complicado.
Tentando desvendar o mapa da Polônia
Às vezes, até achamos que estamos nos localizando bem, ganhamos confiança e até nos arriscamos adivinhar que a rodovia 671 nos levaria a Knyszyn, mas que deve ser, na verdade Kenixin ou Knitchin...
Mas aí aparece uma placa dessa:
De repente, o mundo desaba ao nosso redor. A terceira placa evidencia que nossa presunção a respeito de nossos conhecimentos sobre o idioma polaco não passa de ilusão. Como a luz do sol ou as ondas do mar, o idioma polaco não se deixa dominar. Estávamos a apenas 350m da "Kościół Trójcy przenajswietszej". Se fosse um tubarão, nos mastigaria vivos, inocentes que somos, ao confiar nas letras somente porque se parecem com as de nosso idioma. O significado, definitivamente, não parecia ser tão importante, já que não havia, aparentemente, nenhuma ameaça nas redondezas. A grande questão era: como se pronuncia "przenajswietszej"?
Certamente seriam necessários anos de exercícios linguais para pronunciar tão inusitada combinação de consoantes. Talvez fosse necessário fazer também Pilates ou um pouco de musculação. Não parece tarefa fácil...
Por sorte, como sempre, os americanos vêm em nosso resgate. Neles sempre podemos confiar. Num momento de total desilusão, derrotados impiedosamente pelo enigmático idioma eslavo, confusos diante da interminável interposição de inéditas consoantes como o "zê cedilha" e o "éle cortado", uma despretensiosa latinha vem em nosso auxílio...
Certamente seriam necessários anos de exercícios linguais para pronunciar tão inusitada combinação de consoantes. Talvez fosse necessário fazer também Pilates ou um pouco de musculação. Não parece tarefa fácil...
Por sorte, como sempre, os americanos vêm em nosso resgate. Neles sempre podemos confiar. Num momento de total desilusão, derrotados impiedosamente pelo enigmático idioma eslavo, confusos diante da interminável interposição de inéditas consoantes como o "zê cedilha" e o "éle cortado", uma despretensiosa latinha vem em nosso auxílio...
Bastou "bater o olho" na latinha para que a mente clareasse e as idéias se organizassem.
O idioma polaco, afinal, não é tão difícil quanto parece - há uma luz no fim do túnel. Não é qualquer refrigerante que consegue nos orientar de forma tão didática e, de quebra, aumentar nossa auto-confiança. Sabemos muito mais polonês do que pensávamos! Aos ver as palavras, sem nenhuma dica e nenhum desenho (vejam bem: quatro palavras em polonês e que são bem diferentes de suas correspondentes em português) - pudemos traduzir sem pestanejar - aqui diz: "MESMO SABOR, ZERO AÇÚCAR".
Portanto, preparem-se! Isso foi o que aprendemos em um dia na Polônia. Não se surpreendam se voltarmos ao Brasil fluentes no idioma...
Dobrenoc!
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