segunda-feira, 13 de abril de 2015

Amsterdã em Palavras

Estamos diante do portão de embarque D87, através do qual embarcaremos, em instantes, para a Polônia.

Finalmente aproveito alguns minutos para contar, em palavras, um pouco sobre nossas escassas horas na capital holandesa - coisa que fiz, até aqui, em breves postagens através de imagens.

Longe de mim desprestigiar as imagens, especialmente conhecendo o efeito ímpar que o sorriso daqueles que amamos causa em nossas mentes e almas. Mas, para aqueles que preferem a imprecisão do registro escrito, e preenchem a seu modo o vazio deixado pela palavra - inculta e bela - relato aqui um pouco do nosso dia.

Amsterdã é uma cidade adorável. Difícil é dizer onde termina sua simplicidade e começa sua sofisticação. Essas qualidades, muitas vezes antagônicas, se mesclam aqui com a naturalidade de quem caminha por um sendeiro conhecido desde a infância. Executivos, pais de família, senhoras e moças, circulam com suas singelas bicicletas pelas ruas, num ir e vir sem cessar. Não são aquelas bicicletas de 45 marchas, no estilo "mountain bike" que vemos nas ruas no Brasil - mais parecem ter sido transportada dos anos 1950 diretamente para o século XXI, onde cumprem seu papel, mais importante do que nunca na vida urbana.

As casas, ao longo dos canais, estreitas na largura e coloridas como se estivessem lá para combinar com as tulipas, com o céu e com o rio, e não para serem habitadas, impõem-se majestosas como lembrança da história de um lugar que sabe preservar sua herança.

Amsterdã também tem uma relação estreita com a história do Brasil e com a história dos judeus. Os judeus portugueses, após sua expulsão - resultado último da inquisição nos países ibéricos - vieram em grande número para Amsterdam. Assim floresceu a comunidade Judaica Portuguesa da cidade, cuja belíssima sinagoga tivemos o privilégio de conhecer hoje.

Quando, no século XVI, eclode a guerra entre Holanda e Portugal e, quando os holandeses invadem o nordeste do Brasil, muitos judeus holandeses (já que falavam português devido sua origem) que se ocupavam do comércio foram para a colônia instalada no Brasil. De lá, muitos se foram ao Caribe (após a expulsão dos holandeses) e à América do Norte onde participaram também da fundação da cidade de Nova Amsterdam (hoje Nova Iorque).

Bom, acho que divaguei bastante... Volto ao nosso dia.

Chegamos aqui um pouco antes do meio dia e fomos recebidos pela Carol, que foi nossa guia por hoje. Ela nos levou até o maior parque do centro da cidade - o Vondelpark. Lá sentamos, almoçamos, caminhamos - enfim, sentimos um pouco da energia e do clima da cidade.

Seguimos então para a sinagoga Portuguesa, um prédio imponente, bonito , retrato da comunidade que aqui floresceu, centro de uma comunidade Sefaradi e que reunia sinagoga, salas de estudo, mikve, centro de assistência aos pobres e órfãos e toda a estrutura que uma comunidade judaica precisa.

De lá fomos para o Museu Judaico, onde vimos muito mais sobre o legado judaico de Amsterdam. No auge do desenvolvimento da cidade, no século XVII, quase 10% da população da cidade era judia. Baruch Espinoza, maior filósofo da história da Holanda (e há os que querem "do mundo") é um retrato da integração dos judeus em todos os ramos da vida no país.

Tínhamos ainda uma hora e aproveitamos para conhecer o "mercado de pulgas" do centro de Amsterdam. Ali dividiam o espaço barracas com as mais diversas ofertas - de cadeados de bicicleta à tamancos e carregadores de celulares, passando, claro, por estranhos e suspeitíssimos pirulitos de cannabis.

Mercado de Pulgas

Mercado de Pulgas

Mercado de Pulgas

Nosso tempo para perambular e passear acabou. Embarcamos no ônibus e voltamos para o aeroporto. Daqui a pouco decolamos para Varsóvia. Já nos chamaram para subir ao avião. Tenho que ir.

2 comentários:

  1. Obrigado Moré!!! O relato é ótimo para sentirmos daqui o clima de vs

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  2. Muito bom , que tenham uma boa viagem até Varsóvia.

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